domingo, 5 de dezembro de 2010

Narciso

A melancolia e a tristeza se aproximam imponentes
Nada as pode deter, nem mesmo a minha estranha paixão por mim mesmo
Fico pensando se sentir desejo pelo meu próprio corpo e errado e insano
Mas essa insanidade me excita e me distrai do mundo que chora lá fora
A minha imagem refletida no espelho me agrada de uma forma chocante
Passo horas a frente do espelho admirando a minha beleza
Esse apresso por mim mesmo está ameaçado porque me encontrei em outra pessoa
Com outro rosto, outro sorriso, outro corpo, mas com a mesma alma
Os mesmos pensamentos as mesmas emoções, os mesmos desejos
Acredito que um dia no passado éramos um
E fomos separados por alguém em duas partes
Cada um com um corpo, mas com a mesma essência de espírito
 Duas pessoas que se procuram até serem varridas pela morte
E sofro pela ausência do eu em outro ser
E o luto me consome a ponto de agora estar no fim da vida
Indo em direção aos gélidos braços da desconhecida
Vendo o meu sangue escorrer por fendas abertas por uma lamina afiada
Em um cenário sombrio e escuro, esquecido, sozinho...
Então me entrego a que um dia se denominou morte. 

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